(*) Por Patrícia Cocozza
Nos últimos anos, a infraestrutura distribuída deixou de ser uma tendência para se consolidar como a espinha dorsal da transformação digital. No entanto, à medida que as empresas vêm expandindo suas operações eletrônicas e integram novas aplicações de inteligência artificial e análise de dados, surgindo um dilema estratégico: como equilibrar desempenho, custo e gestão em ambientes cada vez mais complexos?
O debate sobre infraestrutura distribuída é, antes de tudo, uma discussão sobre “equalização”. O modelo tradicional de datacenters já não responde à velocidade e à latência exigidas por aplicações modernas. A descentralização, com cargas de trabalho (workloads) executadas em múltiplos ambientes, do centro à borda, traz ganhos expressivos em agilidade e experiência do usuário. Mas também impõe novos desafios de gestão, interoperabilidade com segurança e observabilidade.
Segundo o Gartner, até 2027, mais de 50% das cargas de trabalho empresariais serão executadas fora dos datacenters tradicionais, em ambientes distribuídos. Isso significa que as organizações precisarão de estruturas tecnológicas mais inteligentes e modulares, capazes de orquestrar recursos em tempo real, sem perder o controle sobre o desempenho e os custos operacionais de gestão.
Nesse contexto, a busca por performance não pode vir isolada de uma reflexão sobre eficiência e sustentabilidade. Infraestruturas mais distribuídas demandam soluções que otimizem o uso de energia e prolonguem o ciclo de vida dos equipamentos, integrando hardware e software de maneira fluida em espaços otimizados. O que temos observado é que as organizações que conseguem combinar desempenho e gestão operacional colhem não apenas resultados técnicos, mas também ganhos em competitividade e ESG, um diferencial cada vez mais valorizado por clientes e investidores.
Outro ponto crítico é a complexidade operacional. Ambientes distribuídos exigem equipes altamente capacitadas, automação e visibilidade total sobre a superfície de ataque e também sobre o ciclo de vida dos ativos. É aqui que a inteligência artificial começa a desempenhar um papel estratégico: com análises preditivas e automação inteligente, é possível reduzir o tempo de resposta a incidentes, prevenir falhas e tornar a operação mais autônoma – transformando a infraestrutura em um ativo de negócio e não apenas em um centro de custo.
Muito além da tecnologia
Para que a topologia espalhada da infraestrutura funcione, do planejamento à implementação, é essencial pensar em escalonamento e governança contínua. Isso significa expandir o modelo distribuído de forma gradual, conforme a maturidade da operação, tipo de aplicações e suas cargas demandantes e manter um painel unificado de indicadores, como latência, disponibilidade, custo por transação, custo de tráfego e tempo de recuperação. Tudo isso com objetivo de orientar decisões baseadas em dados e evidências. Revisar periodicamente onde a complexidade está gerando valor ou não é fundamental: há momentos em que vale consolidar, e outros em que faz sentido distribuir. A comunicação com a gestão executiva precisa seguir essa mesma lógica objetiva, com métricas que traduzam: a exposição ao risco, custos a ser evitado e possíveis ganhos de eficiência.
Mas nenhuma governança tecnológica é sustentável sem cultura e organização. É necessário garantir que times de infraestrutura, desenvolvimento e segurança falem a mesma linguagem e compartilhem uma visão unificada de arquitetura distribuída. Isso envolve investir em capacitação contínua em áreas como observabilidade, automação e FinOps e, principalmente, promover uma mudança de mentalidade: encarar a infraestrutura não como um custo a ser reduzido, mas como um diferencial competitivo a ser constantemente aprimorado.
O futuro da infraestrutura já é híbrido e dinâmico, moldado pela necessidade de cada aplicação e pela capacidade das empresas de gerenciar essa complexidade de forma inteligente e eficaz. O desafio é construir uma base tecnológica que equilibre o melhor dos dois mundos: a robustez do core e a agilidade da borda (edge).
Mais do que uma decisão tecnológica, trata-se de uma escolha estratégica. Organizações que compreenderem esse equilíbrio e investirem em infraestrutura distribuída de forma planejada, estarão mais preparadas para competir em um mercado no qual a performance é um diferencial e a simplicidade é um grande poder.
(*) Patrícia Cocozza é gerente-geral da xFusion Brasil.
Débora Cristhiny Rodrigues Monteiro 96984280945 [email protected]
