A inteligência artificial deixou de ser promessa e passou a ser o motor do marketing digital. Segundo um relatório da Salesforce, 82% das empresas já utilizam IA em alguma etapa de suas campanhas. A consultoria PwC prevê que a tecnologia movimentará US$ 15 trilhões na economia global até 2030, e o marketing é um dos setores mais transformados por essa revolução.
Mas o futuro não será feito apenas de algoritmos. “O marketing do futuro exige sensibilidade — entender o que motiva o consumidor, não apenas o que ele clica”, afirma o especialista Kaio Alves, formado em Biologia pela UFSCar e estudioso de neurociência e comportamento aplicados ao marketing digital.
Atualmente baseado nos Estados Unidos, Kaio integra uma nova geração de pesquisadores que unem ciência e comunicação para orientar empresas em uma era em que os dados precisam de empatia e propósito. “A tecnologia pode prever comportamentos, mas compreender pessoas continuará sendo um trabalho profundamente humano”, resume.
Olhar científico sobre o consumidor
Em 2026, ferramentas baseadas em IA e aprendizado de máquina estarão moldando campanhas, prevendo tendências e criando experiências personalizadas em tempo real. Para Kaio, a tecnologia só faz sentido quando usada com consciência. “As marcas precisam lembrar que cada clique representa um impulso humano, seja curiosidade, necessidade ou confiança. É nessa intersecção entre dados e emoção que o marketing se torna realmente eficaz”.
Em seu artigo “Aplicações de Gatilhos Neurológicos na Jornada do Consumidor Online” (Lumen et Virtus, 2024), o especialista analisou como emoções e gatilhos mentais, como prova social e reciprocidade, influenciam decisões de compra. Ele explica que “as emoções funcionam como atalhos do cérebro: simplificam escolhas e criam vínculos com as marcas.”
Kaio defende ainda o uso ético do neuromarketing, lembrando que influenciar não é manipular. “A IA deve servir para compreender melhor o cliente, não para controlá-lo. Quando há respeito e transparência, nasce a confiança — e confiança é o ativo mais valioso do marketing moderno.” Ele resume o novo marketing como uma síntese entre ciência e sensibilidade. “A tecnologia faz a análise, mas é a empatia que faz a conexão.”
De acordo com o Adobe Digital Trends Report 2025, 84% dos consumidores dizem que a experiência oferecida por uma marca é tão importante quanto o produto em si, um lembrete de que, mesmo em tempos de automação, o fator humano continua no centro de tudo.
E os números reforçam a dimensão dessa transformação: o DataReportal – Global Digital Insights mostra que o uso de IA em ambientes digitais já ultrapassa 1 bilhão de usuários ativos por mês.
